It’s hard to live abroad. Já perdi as contas de quantas vezes disse isso. Acho que até meu professor se cansou de ouvir minha resposta toda vez que chego na sala e ele pergunta
“hey Wesley, what’s the craic?”, a reposta é sempre a mesma
“trying to survive”. Esses dias estive conversando com alguns amigos de sala a respeito de como as coisas são diferentes quando você passa a vivê-las. Quando se está distante, perguntas como
“e ai, tá gostando? ou
“e como são as pessoas, o país?” são freqüentes. A pior parte é quando você comenta com aqueles que estão no Brasil sobre sua saudade e todos dizem a mesma coisa, parece até um coral com vozes bem afinadas e regidas por um maestro: “quantos não queriam estar no seu lugar?”, não que eu não esteja satisfeito com minha nova vida na Europa, independência e tudo mais, mas quando saímos de perto de todas as pessoas que estamos acostumados a viver, tudo se distancia, parece que elas estão vivendo suas vidas e você está sendo apagado automaticamente de suas memórias, isso me dá medo.
Tenho mais medo quando lembro que ainda nem completei um mês morando em Dublin e que falta muito tempo para eu ver aqueles que amo tanto, me assusta mais ainda o fato de não saber se os verei daqui a um ano, dois, três ou sei lá quando. Kayo, oh falta que me faz aquele menino! Quando me lembro que por longos anos vou ter que acordar sem seus beijos e seu bom-dia mal explicado, pedindo seu
‘nanone’ e me rogando para levantar, eu choro. E quando eu levantava do sofá e ele pulava nas minhas costas me fazendo de cavalinho? sem falar das vezes que expulsava meu tédio me convidando para jogar bola ou levá-lo para andar de bicicleta na rua, tempos bons aqueles. MEU MOGINHO TE AMU!
Nunca pensei que fosse dizer isso, mas até os gritos de estresse da minha mãe nos dias de faxina em casa me fazem falta. Oh mulherzinha difícil! Nada estava bom para ela, quando chegava em casa já começava a reclamar das coisas fora do lugar, que a casa não estava limpa do jeito que ela gostava e blá, blá, blá. TE AMO MÃE! E o que falar da minha vovozinha que AMO de montão? Ah, na maioria dos fins de semana íamos para sua casa conversar, rir muito e, claro, comer aquele frango no molho e aquele bife acebolado que só a dona Maria sabe fazer. SAUDADE VÓ! Saudade também de assustar a minha irmã. Toda vez que ela estava banhando eu me escondia atrás da porta de seu quarto e a surpreendia com aquele susto...huahuahua SAUDADES Mariana (banana), Kika (horrorosa), Tiago (flor) e Nana (bonita)! Primos, tios e amigos vocês estão guardados aqui no meu coração também, viu?
Desde o dia em que cheguei à Irlanda não visitei nada, quisera eu que o frio e a chuva
(sometimes) fossem os culpados pelos meus dias de urso hibernando dentro de casa. Fiquei carente e, consequentemente, mais emotivo. Tudo me faz lembrar algum momento da minha vida, pode ser um sorriso de uma criança passando com seus pais ao meu lado, uma frase escrita ou apenas um gesto, não importa a ordem ou a classe das coisas. Já recebi vários convites para sair na noite, conhecer o
Temple Bar, experimentar a
Guiness, visitar ruínas, viajar para outras cidades e até outros países da Europa, mas ainda estou resistindo. Dizem que se você vier à Irlanda e não visitar o Temple Bar, pub conhecido, creio eu que, mundialmente, e não beber um copo da cerveja Guiness, é a mesma coisa de não ter passado pelo país. Quem sabe não role nesse próximo fim de semana dá uma saidinha, né? Maybe I’ll tried it!